A GRANDE ONDA


A Grande Onda de Kanagawa. Hokusai, 1830-32

A belíssima composição em tons de bege, castanhos e azul mostra uma grande onda que se levanta em um mar revolto. Vemos outras ondas que vão se sobrepondo em vários planos, e que se definem por linhas curvas reproduzindo a força e o movimento da água que parece levar tudo. Vemos o desenho nervoso de espumas “crespas” no alto da onda maior e, logo abaixo dela, outra onda que já se abaixa ou que vai começar o movimento ainda. Nela a espuma já está mais dissolvida ou ainda não se projetou.


Do lado direito da composição, entre um movimento e outro de ondas sobrepostas, vemos vários “layers”. Um bloco de água que se movimenta em primeiro plano, aqui no canto inferior direito. Atrás dele, um barco cujas linhas se confundem com a da própria água, e nele várias cabeças envolvidas em um pano azul. Será isso? Em um plano logo atrás, outra onda, depois outra e atrás dela outro barco de linhas semicirculares que acompanham as linhas das ondas. Em último plano, mais ao centro, o Monte Fuji.


Na metade do lado esquerdo da gravura só temos quatro planos: no primeiro, a onda mais baixa, que já se desfaz ou que ainda vai se levantar. Entre ela e a grande onda, um outro barco do qual só conseguimos ver uma parte. Atrás da grande onda, o céu como fundo. A espuma fragmentada se espalha em “bolhas” brancas por toda a superfície do quadro, ficando mais nítidas sobre o fundo azul escuro da onda maior e se confundindo com os castanhos claros e os acinzentados do fundo. Um cinza escuro ao fundo do Monte Fuji faz com que a neve no seu pico não se confunda com os tons mais claros do céu.


A obra é “A Grande Onda de Kanagawa” de Katsushika Hokusai e talvez seja uma das imagens mais reproduzidas de nossa época. Trata-se de uma xilogravura produzida entre os anos 1830 e 1832, que praticamente virou um ícone no mundo da arte ocidental. Ela faz parte da série “As 36 Vistas do Monte Fuji” e o mais curioso é que o Monte deixa de ser o protagonista nessa gravura em especial, que tem a onda e o movimento como fontes de atenção e importância. As gravuras japonesas começaram a chegar na Europa na segunda metade do século XIX e inspiraram o trabalho de muitos impressionistas e pós-impressionistas – entre eles, ninguém mais, ninguém menos que Vincent Van Gogh.

10 visualizações

© 2019 Contenuti

logo-whatsapp.png