HARMONIA E MODERNIDADE EM JULIO GONZÁLEZ

O escultor catalão Julio González (1876-1942) foi amigo de Pablo Picasso e de Constantin Brancusi. Conheceu-os em Paris quando foi tentar a vida como pintor em 1899. Acabou sendo consagrado como um dos pioneiros da escultura moderna por conta de seu trabalho com o ferro. O Instituto Tomie Ohtake apresentou até o dia 5 de agosto de 2019 a exposição “Espaço e matéria” com 70 de suas obras, entre elas esculturas e pinturas.


Modulação de luz e sombra, solidez de volumes

O pai de González era ourives e possuía uma serralheria artística na cidade de Barcelona no final do século XIX. Julio trabalhou com ele produzindo objetos decorativos e com isso aprendeu a trabalhar o ferro, tornando-se mestre em “desenhar no espaço”.

Fiquei bastante impressionada com as pinturas que vi na exposição. Se nas esculturas em ferro González desenhava no espaço, aparentemente o inverso acontecia no campo das duas dimensões. É possível perceber a força da pincelada em sua pintura, com as formas demarcadas à maneira de Cezanne e figuras mais escultóricas que bidimensionais. Seus corpos parecem ter sido moldados em argila, sem contar que existe uma luz demarcada nos modulados bem característicos da modernidade.


Tons e quietude que lembram as naturezas-mortas de Morandi

A quietude das cenas pintadas e uma certa predominância de tons monocromáticos nos faz lembrar as naturezas-mortas de Giorgio Morandi. Mas é preciso reconhecer que suas esculturas em ferro foram realmente um diferencial em sua obra. Ao vê-las, entendemos o real significado da expressão “desenhar no espaço”. Circulando ao redor das esculturas vemos mais de uma figura em uma mesma peça; sua forma de construir no espaço consegue misturar perfeitamente desenho e escultura produzindo uma obra “viva” com formas que criam diferentes resultados dependendo da posição do observador.


O artista trabalha com maestria os cheios e vazios no espaço

Ao estudar design gráfico aprendemos que o branco do papel é tão importante quanto o espaço preenchido; precisamos saber balancear os dois. Julio González aplica com facilidade essa recomendação, produzindo na escultura espaços cheios e vazios e respeitando aos mais sofisticados ensinamentos da antiguidade clássica, só que nos moldes da arte moderna. Equilíbrio e harmonia vão bem em toda e qualquer produção artística. Muito bom.

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