O MOVIMENTO E O BARROCO EM RUBENS

Atualizado: 16 de Set de 2019

Dois cavaleiros, duas mulheres, dois cavalos e dois anjos. As mulheres estão nuas, apenas alguns tecidos – um branco, um vermelho e um dourado – cobrem partes de seus corpos. A pele delas é muito clara, as formas são voluptuosas, vemos dobras, texturas, pequenas áreas mais rosadas e, se prestarmos um pouco de atenção, muitas outras variações tonais.

A cor da pele dos homens é bem mais escura, de um castanho avermelhado e também com muitos tons, mas são poucas as partes de seus corpos que estão à mostra se compararmos com os corpos das mulheres.


Rubens, O rapto das Filhas de Leucipo, 1618

Um cavalo cinza é visto com facilidade no alto e à direita na composição. Ele está empinando com duas patas erguidas e a crina branca esvoaçante. Quase conseguimos ouvir seu relinchar. O cavalo marrom está mais difícil de ser visto, pois seu corpo se confunde um pouco com o corpo do homem de armadura.


Um anjinho se pendura no cavalo marrom, bem à esquerda da pintura, com uma expressão de quem está se divertindo. Do outro anjo só vemos uma parte do rosto e um pedaço do bracinho que gruda a crina branca do cavalo cinza.


Uma mulher apoia no chão o joelho e a ponta do pé esquerdo, torce o tronco para a direita e gira a cabeça para a esquerda, enquanto um braço procura o apoio do chão e o outro se ergue com a mão para cima em um movimento de busca ou de defesa. A mulher que está acima também gira tronco e pescoço em movimentos opostos. Com uma mão tenta se defender do homem que segura sua perna esquerda e com a outra faz um movimento que talvez seja o de tentar se libertar. Ou de pedir ajuda.


Existe um movimento específico definido pelo corpo de cada personagem e um movimento geral da composição como um todo. O movimento dos personagens é definido pela posição de troncos, membros e cabeças. O movimento da composição se dá a partir da relação entre todos os movimentos de todos os corpos.


Homens, mulheres, anjos e cavalos formam um só bloco, com corpos, membros, braços, pernas, mãos e pés entrelaçados como se fossem um jogo de varetas, daqueles que vence quem conseguir tirar mais varetas sem desmanchar o emaranhado.


Ao fundo vemos um céu azulado cheio de nuvens de muitos tons, espessas ou leves, que se desmancham no ar. Todas elas também têm movimento. No chão, vemos os apoios, os pés que se pisam, patas apoiadas e uma vegetação rasteira em primeiro plano. Na linha do chão, árvores e montanhas que vão mudando de cor conforme se distanciam no horizonte.

Esse bloco de corpos revoltosos e pesados produzem um movimento intenso com linhas imaginárias que nossos olhos seguem em todas as direções possíveis. Essa é uma característica do estilo de pintura Barroca. As torções e inclinações de corpos e membros vão conduzindo nosso olhar para todo lado, para cima, para baixo, e em todas as diagonais e inclinadas, possíveis e imagináveis.


Peter Paul Rubens era mestre em criar essas composições. Até suas Madonas eram cheias de movimento. Rubens ficou conhecido como o pintor das mulheres voluptuosas. E o século XVII, período em que prevaleceu esse estilo, era uma época em que as nações precisavam demonstrar sua riqueza, fartura e crescimento econômico. O que melhor do que a arte para ilustrar uma época?

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