QUANDO ESPERAR É UMA ARTE

Atualizado: 16 de Set de 2019


Good feelings in good times na Tate Modern em 2007

“Good Feelings in Good Times” (algo como “Bons Sentimentos em Bons Momentos”) é uma fila artificial. E é também uma performance. A princípio, ela deve ser realizada dentro de um museu, mas também pode acontecer em outros lugares, como calçadas e espaços públicos. A fila deve estar sempre associada a uma exposição de arte e é formada em frente a um local que faça sentido, geralmente uma porta trancada ou uma passagem bloqueada. Em espaços internos ela pode ser realizada com um mínimo de 7 e um máximo de 12 pessoas. Em espaços externos, com um máximo de 15 pessoas.


Os participantes de “Good Feelings in Good Times” são sempre voluntários ou atores contratados pelo museu, sem restrições de idade ou de gênero. Eles não precisam usar roupas especiais, basta parecerem pessoas comuns que estão esperando alguma coisa acontecer quando a fila andar. Só que ela não vai andar.


Se perguntados pelos observadores, esses atores não devem dar nenhuma informação. A performance é repetida várias vezes ao dia em horários e locais específicos do espaço expositivo.


Em 2003 a obra aconteceu na calçada do museu.

A obra foi realizada pela primeira vez no Museu Kölnischer em Colônia, na Alemanha em 2003. Depois foi apresentada na Feira de Artes Frieze em Londres no ano seguinte, ocasião em que foi encomendada pela Tate Modern. Fazer fila, além de ser uma atividade social regular, é também algo relacionado a comportamentos históricos e sociais. Assim, o trabalho pode ter diferentes conotações, dependendo do local e do momento em que estiver sendo realizado.


Criador da obra, o artista eslovaco Roman Ondák (1966) comentou que havia se interessado pelo fenômeno da fila por conta de ele ser algo estável, onde as pessoas mostram um senso muito forte de participação. Mesmo que você não esteja fazendo parte da fila, você acaba participando dela ao encarar suas memórias de filas em que esteve no passado. Não conseguimos explicar esse fenômeno, nós o sentimos a partir do nosso desejo ou de nossa decisão de fazer parte dele. Quando estamos em uma fila, nós relaxamos e o tempo se modifica, adquirindo uma outra velocidade.


Roman Ondak organizando a fila na Tate Liverpool

Em algumas performances os observadores e transeuntes entravam no final da fila e passavam a fazer parte dela. Outras vezes ficavam circulando em volta ou caminhando ao lado dela com ar de curiosidade. A ideia é bem divertida. Mas é arte?


(Este texto é baseado no artigo de Philomena Epps, publicado no site da Tate)

16 visualizações

© 2019 Contenuti

logo-whatsapp.png