SINTA AS TEXTURAS, VEJA AS FOTOS

Atualizado: 16 de Set de 2019

Gosto de pensar que os principais elementos visuais de uma composição são suas linhas, formas, cores, volumes e texturas. Existem outros, mas a partir destes cinco é possível fazer uma boa leitura visual de qualquer obra de arte. Pode ser uma pintura, escultura ou gravura, se estivermos falando dos suportes tradicionais. E, claro, uma fotografia também.


Aconteceu nos meses de agosto e setembro de 2019 no Centro Cultural dos Correios em São Paulo a exposição “Cadê a piscina?” de Cláudio Ferreira, uma sequência de fotos que associava seus antigos óculos de natação aos mais diversos materiais (plantas, troncos de árvores, arames farpados e outros). Nessas imagens, Cláudio explorava o conceito de textura e apresentava uma poética visual repleta de sua memória afetiva.


Ao olharmos uma composição visual, sabemos identificar as linhas e identificar se elas são visíveis ou não. Também conseguimos reconhecer cores, analisar formas e passear nossos olhos pelos volumes. Mas e quanto às texturas? Será que temos noção de como elas estão relacionadas à nossa memória visual e tátil?


O artista compõe com elementos naturais e artificiais

Façamos um exercício imaginando que nossas mãos acariciam uma superfície de um tronco de árvore cheio de farpas. Se fizéssemos isso de fato, provavelmente sairíamos dessa experiência com as mãos arranhadas e cheias de pequenos machucados. Pior seria o resultado ao experimentarmos essa experiência tátil com um arame farpado. É melhor ficar por conta da imaginação, deixando as sensações limitarem-se ao campo da visualidade.

De qualquer forma, quando observamos uma fotografia ou uma pintura, conseguimos sentir (ou ao menos imaginar) a maciez de um tecido, a aspereza de uma superfície, a temperatura de um metal ou mesmo a sensação de ficar com as mãos molhadas ao tocar uma planta cheia de orvalho. Nas fotos de Cláudio Ferreira essas experiências sensíveis ficavam bem evidentes e, antecipar essas experiências através do olhar é algo que faz parte do que chamamos de leitura visual. Fazemos isso o tempo todo sem perceber, olhando as coisas da natureza, analisando roupas em uma loja e até mesmo escolhendo comidas em um cardápio. Bebês praticam o exercício de conhecer texturas o tempo todo com suas mãozinhas rechonchudas. Como nós, adultos, não podemos continuar com isso o tempo todo ao longo da vida, deixamos aos nossos olhos esse exercício do reconhecimento. Coisas da vida... e prazeres de olhar a arte.

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